Entrevista com Vandana Shiva: “Boicotemos as empresas que destroem o ambiente

5 06 2009
03/06/2009 – 02h06
Vandana Shiva: Boicotemos as empresas que destroem o ambientePor Francesca Caferri, do jornal La Repubblica

Nesta entrevista, a física e ativista ambiental indiana Vandana Shiva comenta a importância da defesa da Amazônia e da biodiversidade que a área concentra. E afirma que, nesse sentido, os índios têm muito a nos ensinar.

Eis a entrevista:

Senhora Shiva, por que essa é uma questão global?

A Amazônia não é só uma floresta. Não é só do Brasil. É, antes de tudo, o maior depósito de biodiversidade do mundo, a contribuição mais importante para a estabilidade climática e hidrogeológica que restou na terra. Por isso, é uma questão mundial. E posso dizer, por ter visto com os meus próprios olhos, que a destruição que está ocorrendo ali e a luta ímpar dos índios contra as empresas que querem madeira e matérias-primas e a quem não importa nada deles é uma questão global, e como tal deve ser tratada. Pelos governos em primeiro lugar.

O que deveriam fazer?

Deveriam, sobretudo, se esquecer da palavra lucro quando se fala sobre essa área do mundo. Os únicos investimentos na Amazônia deveriam ser dirigidos para se garantir a sua sobrevivência e proteção. Só isso deveria ser considerado um ganho, em termos de estabilidade. O que eu espero concretamente é a formação de uma aliança global entre os países em nome da conservação da Amazônia.

O G8 que ocorrerá em algumas semanas na Itália tem a proteção do meio ambiente e as mudanças climáticas entre os pontos principais da sua agenda. A senhora acredita que o discurso sobre a Amazônia pode ser enfrentado ali?

Francamente, não espero muito do G8. Espero muito mais do G20, a cúpula ampliada à qual tomam parte os países chamados emergentes e, nesse caso, o Brasil. É essa a sede para se estimular uma mudança. O que aconteceu desde setembro do ano passado até hoje – a crise dos mercados, o estouro da bolha dos empréstimos, a crise financeira global – deveria nos ensinar alguma coisa. Que o modelo de desenvolvimento cego, que destrói tudo ao seu redor, que aponta só ao lucro, não funciona. Não funciona mais. Porém, esse é o modelo de desenvolvimento que está destruindo a Amazônia. Para olhar para o futuro, devemos pensar em um modelo diferente, iluminado, eu o definiria. Onde a ideia de futuro e a de desenvolvimento convivam.

Nesse modelo, que papel tem os consumidores finais? Como a senhora sabe, o Greenpeace os chama em causa diretamente, colocando no patíbulo marcas que estão entre as mais conhecidas do mundo…

Os consumidores podem muito. A primeira coisa a fazer é estabelecer uma moratória internacional sobre qualquer bem que esteja ligado de qualquer modo à destruição da Amazônia. Isso cabe aos governos, mas depois os consumidores também devem ir a campo. Pensemos no que ocorreu com a gripe suína no México: tomados pelo pânico, os consumidores impuseram aos supermercados de todo o mundo que não vendessem mais carne que chegava do México. As exportações entraram em queda em poucos dias. Ou pensemos no movimento que se desenvolveu em muitos países da Europa contra os transgênicos: os protestos impuseram às cadeias de distribuição que fossem “OGM free”, pelo menos em parte. Ora, o mesmo pode ser feito para a Amazônia: os consumidores podem fazer pressões sobre os negócios para que não vendam produtos que não seja “Amazon free”, que venda só aqueles que respeitam a Amazônia, que não se derivam das suas matérias-primas. E depois deveriam pedir que consumissem só carne local: desse modo, as importações do Brasil entrariam em queda.

Tudo isso criaria um dano grave à economia do país: e não podemos esquecer que falamos de um Estado em que boa parte da população ainda vive na pobreza…

A maior parte dos cultivos e das criações na Amazônia é ilegal. Quem ganha com essa economia são os que comercializam de modo ilegal, não o país.

Falemos das populações indígenas: como a senhora sabe, muitos defendem que a proximidade com a “civilização” é um bem para eles. Qual é a sua opinião?

Eu não estou de acordo. Se olharmos para o futuro e para aquilo que nos ajuda a ir para frente, entenderemos que o elemento fundamental é uma relação balanceada com a terra. Um sistema de conhecimento e de vida que não seja baseado na exploração, mas na harmonia. Nessa matéria, os índios têm muito a nos ensinar. Certamente não são primitivos. Primitivos me parecem ser antes aqueles que querem caçá-los.

* Entrevista publicada no jornal La Repubblica, 01-06-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 
(**Agradecimentos especiais à Wirna Cardoso, que nos mandou a entrevista por e-mail.





Reciclagem do lixo doméstico presta bom serviço ao meio ambiente

18 05 2009

planetareciclagem

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse nesta sexta-feira (15), que o trabalho de reciclagem e reaproveitamento de lixo doméstico em condomínios, envolvendo os catadores em um processo de educação ambiental permanente, é um bom serviço ao meio ambiente. Para o ministro, esse é um trabalho de formiguinha, com cada morador fazendo a separação do lixo em sua residência e o resultado final toma proporções não imagináveis no início. “Quase tudo pode e deve ser reciclado e reaproveitado”, salientou. Ele participou nesta sexta-feira, no Senai da Tijuca, no Rio de Janeiro, do encontro da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi), em que foi apresentado um projeto de reciclagem de lixo em condomínio com o objetivo de reaproveitar mais de 100 toneladas por mês. Minc destacou que essa não é a primeira parceria com a Abadi. Ele falou sobre uma parceria para reduzir a poluição sonora em condomínios em um trabalho de colaboração das pessoas para alcançar um equilíbrio de segurança e conforto. Outros trabalhos desenvolvidos junto com a Abadi foram a distribuição de cartilhas incentivando a população sobre a importância do trabalho de coleta seletiva e do reaproveitamento de óleo de cozinha, que pode ser transformado em sabão e até mesmo em biodiesel. Minc lembrou que essas atitudes individuais são importantes porque tem muita gente preocupada em destruir o meio ambiente e pouca gente preocupada em preservar. Minc também anunciou no evento, que reuniu síndicos de vários edifícios da zona norte fluminense, que no dia 5 de julho será lançada a estação de tratamento de esgoto da barra. A maior parte das doenças, principalmente em crianças, vem de água poluída, por isso, água limpa é saúde.

Fonte: http://www.meioambiente.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=4767